Acoplamento Elástico de Garras. Como funciona?

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Andrew Santos
Componentes Industriais
Publicado em: 26 out 2026 • Tempo de leitura: 12 min
Imagem ilustrativa de capa para um artigo sobre acoplamento de garras.

Amplamente utilizado em sistemas de transmissão mecânica, o acoplamento de garras é um acoplamento elástico do tipo flexível responsável por unir o eixo do motor ao eixo da máquina por meio de dois cubos metálicos e um elemento elástico entre eles, a “estrela”. Ele transmite o giro, absorve pequenos desalinhamentos e amortece impactos e vibrações.

Por ser muito comum em bombas, ventiladores industriais, esteiras e compressores de potência moderada, o acoplamento de garras é um dos tipos de acoplamentos mais utilizados na indústria e no agro.

Entender as características desse componente é fundamental para especificar a solução correta para cada sistema de transmissão. A seguir, você vai entender o que é um acoplamento de garras, como ele funciona, porque ele é tão utilizado na indústria e muito mais.

Vamos ao conteúdo?

O que é e como funciona o acoplamento de garras?

Um exemplo de um acoplamento de garras expandido.

Um acoplamento, de forma geral, é o conjunto que transmite o giro de um eixo para outro. Além disso, ele acomoda pequenas diferenças de posição entre os eixos, absorve vibração e protege os componentes vizinhos, como rolamentos, motores e redutores.

No acoplamento de garras, o trabalho é dividido entre três peças. Há dois cubos de metal, um fixado no eixo do motor e outro no eixo da máquina, e entre eles um elemento elástico. Os cubos têm “dentes”, que são as garras. Os dentes dos dois cubos entram nos vãos do elástico, como engrenagens que se encaixam com uma borracha no meio. Quando o motor gira, o cubo empurra o elástico, o elástico empurra o outro cubo, e o movimento é transmitido sem que os dois metais se toquem.

Uma boa forma de entender isso é pensar em um amortecedor de choque. Se a máquina trava por um instante ou o motor parte com carga, quem recebe o golpe primeiro é o elástico, e só uma parte dele chega ao resto do conjunto. Ele é a peça que “sofre” para que o rolamentoe o motor não sofram. Por isso é chamada de peça de sacrifício, e por isso é normal trocá-la de tempos em tempos.

Os elastômeros usados costumam resistir bem a poeira e umidade, e muitos aguentam também o contato com óleo, embora isso dependa do material e do tempo de exposição. As garras, por sua vez, dão ao conjunto um encaixe firme e fácil de montar. Em vários modelos, o elástico pode ser trocado sem afastar o motor da máquina, o que reduz bastante o tempo de parada.

Quais são os tipos de acoplamentos de garras?

Existem dezenas de versões no mercado, mas, para quem precisa escolher, é mais útil entender três formatos e duas decisões: o material e a dureza do elástico.

Alto torque, com elementos de instalação radial

Em vez de uma peça única em formato de estrela, esse modelo usa vários elementos em formato de chapa, que entram pela lateral do acoplamento. Podem ser de poliuretano, mais flexível, ou de um material mais resistente, como o Hytrel. A grande vantagem é a manutenção: os elementos são trocados sem lubrificação e sem mover as máquinas.

Algumas versões têm um porta-elementos, que facilita ainda mais a troca e permite fazer o teste de giro do motor em vazio, sem a carga acoplada. Esse formato é indicado para baixas rotações, como na saída de um redutor, onde a velocidade cai e o torque aumenta.

Com tampa metálica

Aqui os cubos são fechados por uma tampa presa por poucos parafusos. Quando chega a hora da manutenção, o técnico tira a tampa, retira os elementos gastos e coloca os novos, sem precisar afastar os eixos.

A tampa, geralmente de aço, também protege o conjunto de impactos e sujeira. Um cuidado que vale ouro: sempre refazer o alinhamento depois da troca. Elemento novo em eixo desalinhado dura pouco.

Básico, com estrela

É o modelo mais simples, com os dois cubos e uma estrela elástica no meio. A troca da estrela pede um pequeno deslocamento axial de uma das máquinas para soltar os cubos, o que é aceitável quando a máquina é leve ou o acesso é fácil.

Por que a dureza do elástico é tão importante?

Se há uma decisão que define o comportamento do acoplamento, é a dureza do elástico, medida na escala Shore. A regra é intuitiva: quanto mais duro, mais torque ele transmite e mais rígido fica o conjunto. Quanto mais macio, mais ele amortece.

É um equilíbrio. Um elástico macio absorve melhor o impacto, mas se deforma mais sob carga alta. Um elástico duro segura mais força, mas devolve parte do choque ao motor.

Para dar uma ideia, tomemos como referência a linha de um dos fabricantes mais conhecidos de acoplamentos de garras no mundo, que identifica a dureza por cor:

DurezaPara que serveTemperatura contínua
92 Shore A (laranja)Mais macia: melhor amortecimento em partidas e vibração-40 °C a +90 °C
98 Shore A (roxa)Mais rígida: transmite mais torque-30 °C a +90 °C
64 Shore D (verde-clara)Muito rígida: indicada para calor e ambiente muito úmido-30 °C a +110 °C

As cores e as faixas variam de um fabricante para outro. Por isso, o catálogo da marca que você usa é a referência final.

Existe ainda a diferença entre versões com folga e sem folga. Nas versões sem folga, o elástico é montado levemente pré-tensionado entre os cubos, o que elimina o jogo e dá mais precisão. É uma escolha mais comum em máquinas de movimento exato. Em máquinas pesadas, como moinhos e peneiras, a versão com folga costuma bastar.

Aplicações: Onde eles são mais utilizados?

Para entender onde o acoplamento de garras faz mais diferença, vale olhar para as máquinas em que a vibração é inimiga. Cinco exemplos mostram bem a lógica.

1. Bombas centrífugas

A bomba é talvez a aplicação mais comum. Selos mecânicos, gaxetas e rolamentos de uma bomba são sensíveis à vibração, e qualquer desvio de alinhamento vira vazamento ou rolamento aquecido. Um acoplamento que amortece bem ajuda a manter o selo mecânico trabalhando em condição estável, e isso se traduz em menos vazamento e menos intervenção.

Em plantas petroquímicas e de utilidades, onde há muitas bombas rodando em paralelo, esse ganho se multiplica.

2. Moinhos de martelo, de bolas e de facas

Em moinhos, o processo é feito de choques. Martelos batem, bolas rolam e facas cortam, e cada impacto volta pelo eixo em direção ao motor. O acoplamento elástico isola uma parte desse choque, o que protege o motor e o redutor. Nessas aplicações, a dureza do elástico precisa ser pensada com cuidado, porque a carga varia o tempo todo.

3. Elevadores de caneca

O elevador de caneca carrega material em ciclos. Cada caneca que enche traz um pico de torque, e cada caneca que esvazia o alivia. Essa alternância de carga gera esforço repetido e vibração. Um acoplamento elástico ajuda a proteger o motor e os rolamentos desses picos, principalmente em operações como mineração, cimento, fertilizantes e agronegócio industrial.

4. Transportadores contínuos e esteiras

Os transportadores seguem a mesma lógica do elevador. A carga muda conforme o material chega, e as partidas com a correia carregada são exigentes. Em acionamentos suspensos, a vibração pode ser ainda mais crítica. Essa aplicação aparece em mineração, portos industriais, logística, alimentos e papel e celulose.

5. Peneiras vibratórias

Na peneira vibratória, a vibração faz parte do processo, mas não deve chegar ao motor. O acoplamento precisa absorver o movimento sem transferi-lo, e em muitos casos usa-se uma solução específica, com eixo flutuante. É uma aplicação em que a escolha errada do acoplamento aparece rápido, na forma de rolamento do motor aquecido ou fixação soltando.

Além dessas cinco, o acoplamento de garras também é muito usado em ventiladores e exaustores, torres de resfriamento, linhas de envase na indústria de alimentos e bebidas, compressores de médio porte e redutores.

Por que utilizar esse tipo de acoplamento?

O acoplamento de garras é bastante utilizado em aplicações industriais porque reúne características que favorecem o desempenho e a confiabilidade dos equipamentos. Entre suas principais vantagens, destacam-se:

  1. Compensação de desalinhamentos: o elemento elástico acomoda pequenos desalinhamentos axiais, radiais e angulares, causados por tolerâncias de fabricação, dilatação térmica ou movimentação da base. Isso ajuda a reduzir esforços adicionais sobre rolamentos e mancais.
  2. Amortecimento de vibrações e impactos: o elemento elástico absorve parte das vibrações e dos choques mecânicos gerados durante a operação, contribuindo para um funcionamento mais suave e reduzindo a transmissão desses esforços aos componentes conectados.
  3. Facilidade de manutenção: em diversos modelos, a substituição da estrela elástica pode ser realizada sem afastar o motor e a máquina acionada, simplificando a intervenção e reduzindo o tempo de parada do equipamento.
  4. Preservação dos equipamentos: ao acomodar pequenos desalinhamentos e amortecer vibrações e impactos, o acoplamento contribui para reduzir os esforços sobre os componentes do sistema de transmissão, favorecendo a confiabilidade operacional e a vida útil dos ativos.

Quais cuidados considerar nesse tipo de aplicação?

Na prática, a maioria das falhas de acoplamento de garras vem de poucos problemas, quase sempre evitáveis:

  1. Desalinhamento fora do limite: É uma das principais causas de falha em acoplamentos de garras. Pequenos desvios entre os eixos podem acelerar o desgaste do elástico, elevar a temperatura de rolamentos e motores e aumentar o consumo de energia.
  2. Dureza inadequada para a carga: Um elástico macio demais em aplicações de alto torque se deforma e desgasta precocemente. Já um elástico duro demais transmite impactos ao motor, comprometendo a proteção do conjunto.
  3. Contaminação e produtos químicos: Poeira abrasiva, comum em transportadores de mineração, desgasta o elástico gradualmente. Vazamentos de óleo e excesso de graxa também podem acelerar sua deterioração, dependendo do material. Em linhas de alimentos e bebidas, lavagens frequentes exigem materiais e cubos adequados, como os de aço inoxidável.
  4. Temperatura excessiva: Cada material possui uma faixa de temperatura de operação. Ultrapassar esse limite reduz a vida útil do elástico, especialmente em aplicações próximas a fornos, secadores e outras fontes de calor intenso.
  5. Montagem fora do ajuste: O ajuste entre o furo do cubo e o eixo influencia o funcionamento do conjunto. Folgas excessivas podem provocar movimentos indesejados e desgaste da chaveta, enquanto um ajuste muito apertado dificulta a montagem e pode forçar os componentes.
  6. Armazenamento incorreto: A exposição dos elásticos à luz solar, ao calor excessivo ou ao contato com óleo pode comprometer suas propriedades antes mesmo da instalação, reduzindo sua vida útil.
  7. Troca do elástico sem verificar o alinhamento: Substituir o elástico sem corrigir possíveis desalinhamentos mantém a causa do desgaste. Por isso, cada troca deve ser acompanhada da verificação do alinhamento dos eixos.

Qual o melhor distribuidor para comprar acoplamentos de garras?

Na escolha de um acoplamento, contar com o fornecedor certo faz diferença no custo e na continuidade da operação. A disponibilidade de estoque, a agilidade logística, a procedência dos componentes e o suporte na especificação são fatores que ajudam a evitar erros de compra e reduzir o tempo de máquina parada.

A Roltek é a maior distribuidora de componentes de transmissão do Norte-Nordeste, com estoque próprio, mais de 5.000m² distribuídos entre Bahia e Pernambuco e logística imediata preparada para atender operações industriais e agrícolas. Há mais de duas décadas, construímos nossa presença nacional para oferecer disponibilidade de produtos, agilidade no atendimento e confiança no fornecimento.

Atendemos setores como mineração, petroquímica, alimentos e agronegócio, com suporte na especificação de acoplamentos para bombas, moinhos, transportadores e outras aplicações industriais.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual a diferença entre acoplamento de garras e acoplamento de pneu?

O acoplamento de garras usa um elemento elástico entre dois cubos e atende potência baixa e média, com manutenção simples. O de pneu usa um anel flexível e é mais indicado para impactos fortes e partidas severas. Na dúvida, o tipo de máquina e a intensidade do choque ajudam a decidir.

Quando devo trocar o elástico?

Não existe um prazo único. A vida do elástico depende da carga, da temperatura, do alinhamento e do número de partidas. A prática mais segura é inspecionar a cada parada programada e trocar ao notar trincas, dentes gastos, pó ao redor ou folga entre o elástico e os cubos.

Qual dureza de elástico escolher?

Mais macia onde há muito impacto e vibração, como em moinhos e peneiras. Mais dura onde o torque é alto e a precisão importa, como na saída de redutores. Se houver calor ou umidade intensa, existem materiais mais rígidos e resistentes. Em caso de dúvida, o catálogo do fabricante é a referência.

O acoplamento de garras corrige desalinhamento?

Não. Ele tolera pequenos desvios, dentro do limite do fabricante, mas não os corrige. Quanto maior o desalinhamento, mais rápido o elástico se desgasta e maior a carga que vai para rolamentos e vedações. O alinhamento correto na montagem continua sendo indispensável.

Preciso lubrificar o acoplamento de garras?

Em geral, não. Os modelos com elastômero dispensam lubrificação, e o excesso de graxa em contato com o elástico pode acelerar seu desgaste, dependendo do material. Confira sempre a recomendação do fabricante do seu modelo.