
Desenvolvidos para aplicações que exigem precisão, desempenho e altas velocidades, os rolamentos de contato angular são rolamentos de esferas projetados para suportar cargas radiais e axiais, sendo indicados principalmente para aplicações que envolvem cargas combinadas.
O seu ângulo de contato permite trabalhar com esforços axiais elevados e proporciona maior estabilidade ao conjunto, especialmente em aplicações de alta velocidade.
São utilizados em máquinas-ferramenta, motores elétricos, bombas, compressores, redutores, fusos de esferas e sistemas de transmissão, entre outras aplicações industriais.
Embora o rolamento de contato angular seja amplamente utilizado em segmentos da indústria, automação, energia efabricação de máquinas, sua aplicação não é universal e fatores como carga, velocidade de rotação,temperatura,espaço disponível e condições de operação são determinantes para o seu desempenho e para evitar falhas prematurasnos rolamentos.
Por isso, neste artigo, vamos explorar passo a passo:
- O que são os rolamentos de esferas de contato angular;
- Como funcionam e quais são suas principais características;
- Quais são os principais tipos e configurações;
- Em quais aplicações são mais indicados;
- Quais fatores devem ser considerados na escolha do rolamento adequado;
- Como uma seleção inadequada pode contribuir para falhas prematuras.
O que são os rolamentos de contato angular? Quais as suas funções?
O rolamento de contato angular é um rolamento de esferas projetado para suportar, ao mesmo tempo, carga radial (que empurra o eixo para o lado) e carga axial (que empurra o eixo ao longo do seu comprimento). A carga axial é suportada em um único sentido.
Como ele funciona?

Em um rolamento comum, as esferas ficam alinhadas com o eixo. No contato angular, a linha que passa pelos pontos de contato das esferas com os anéis é inclinada em relação à direção radial, como é possível visualizar na ilustração acima. Pense em uma rampa: a carga não desce reta, ela escorrega para o lado. É essa inclinação que permite ao rolamento “segurar” o empuxo axial além do peso radial.
Por que esse tipo de rolamento quase sempre aparece em pares?
Como a carga radial gera uma parcela axial, esses rolamentos costumam ser usados em pares ou em conjuntos de vários rolamentos. Sozinho, ele empurra o eixo para um lado, e o par equilibra esse efeito. Quando o espaço é curto, existe a versão de duas carreiras, que equivale a um par integrado e suporta carga axial nos dois sentidos.
Quais são as principais características dos rolamentos de contato angular?
O rolamento de contato angular se diferencia dos demais por uma ideia simples: ele foi desenhado para trabalhar em eixos que sofrem empurrão para o lado e empurrão ao longo do eixo ao mesmo tempo. Quase todas as suas outras características partem disso.
Ângulo de contato: a característica que define o rolamento
As esferas encostam nos anéis de forma inclinada, e essa inclinação é o ângulo de contato. Ele é oferecido em 15°, 25°, 30° e 40°, e a escolha muda o comportamento do rolamento:
- Ângulo maior (40°): aguenta mais carga axial.
- Ângulo menor (15°): funciona melhor em rotações mais altas.
Nas séries 72 e 73 da FAG, a letra B no código indica o ângulo de 40°. Já dá para ler uma parte da designação só olhando para ela.
Suporta carga radial e axial, mas a axial só em um sentido
O modelo de uma carreira lida bem com carga radial elevada e com carga axial em um único sentido. Se o empurrão axial muda de lado durante a operação, um rolamento sozinho não resolve. É preciso um par ou uma versão de duas carreiras.
Trabalha em pares
Essa é a característica que mais surpreende quem vê o rolamento pela primeira vez. Como a carga radial também gera uma parcela axial, o rolamento “puxa” o eixo para um lado. O par equilibra esse efeito. Os arranjos mais usados são:
- Costas com costas (DB) e face com face (DF): suportam carga axial nos dois sentidos.
- Em tandem (DT): concentra a capacidade axial em um sentido só.
Para facilitar a montagem, a FAG oferece versões universais (códigos UA e UL), que podem ser combinadas em par sem perder o ajuste entre os rolamentos.
Existe a versão de duas carreiras
Quando falta espaço, a versão de duas carreiras faz o papel de um par de rolamentos em uma peça só. Ela aceita carga axial nos dois sentidos e é comum em motores elétricos, ventiladores, bombas e compressores.
Rigidez e rotação
Conjuntos de contato angular são rígidos e trabalham bem em alta velocidade, e por isso aparecem em equipamentos que pedem precisão. O tipo de gaiola e a classe de precisão acompanham essa exigência. A gaiola de latão é a mais comum em serviço pesado, e as versões com vedação ajudam a manter a sujeira longe.
Ajuste correto: a folga axial
Este é o ponto onde a teoria encontra a manutenção. O rolamento precisa de uma folga axial (ou leve pré-carga) bem definida. Em bombas, por exemplo, ela evita que as esferas derrapem. Folga errada traz aquecimento, ruído e falha prematura, e depois vem a parada de linha.
Quais são os tipos de rolamentos de contato angular?
Não existe uma lista única de tipos de rolamento de contato angular. Eles são classificados por critérios diferentes: o número de carreiras de esferas, o jeito de montar, o ângulo de contato e o acabamento. Entender cada critério ajuda a ler a ficha técnica e a escolher o modelo certo para o equipamento.
Por número de carreiras
Uma carreira: é o tipo mais comum. Suporta carga radial elevada e carga axial em um único sentido. Por isso quase sempre trabalha em par, como vimos nas características.
Duas carreiras: funciona como um par de rolamentos de uma carreira, costas com costas, dentro de uma peça só. É uma alternativa compacta que aceita carga axial nos dois sentidos. O ângulo padrão é de 25°, e existe a versão de alta capacidade, com ranhura de enchimento, que chega a 32°. É comum em motores elétricos, ventiladores, bombas e compressores.
Quatro pontos de contato: é uma construção especial de uma carreira só que aceita carga axial nos dois sentidos. Faz sentido onde o esforço axial é o protagonista.
Por forma de montagem
Rolamento individual: serve para um único apoio, quando o esforço axial tem sempre o mesmo sentido.
Rolamentos pareados: são fornecidos em conjuntos prontos, em três arranjos principais:
- Costas com costas (DB): suporta carga axial nos dois sentidos e dá boa rigidez ao conjunto.
- Face com face (DF): também suporta nos dois sentidos, com comportamento um pouco diferente diante de desalinhamento.
- Em tandem (DT): divide a carga axial entre os rolamentos, mas em um único sentido.
Universais: são feitos para serem combinados em qualquer um desses arranjos. Na FAG, aparecem com os sufixos UA (pequena folga axial) e UL (leve pré-carga).
Por ângulo de contato
- 15° a 25°: mais indicados para rotações mais altas.
- 30° e 40°: mais indicados quando a carga axial pesa mais. O código B das séries 72 e 73 da FAG corresponde a 40°.
Por acabamento e proteção
Abertos: exigem lubrificação e proteção por conta do conjunto.
Blindados ou vedados: trazem proteção contra a entrada de sujeira. O sufixo 2RS indica vedação de borracha nos dois lados, e existem também versões com escudos de chapa de aço. Em ambientes com poeira ou umidade, isso faz diferença na vida útil.
Gaiolas: de poliamida, aço ou latão. O latão usinado aparece mais em serviço pesado, como bombas API e compressores.
Linha X-life (FAG): tem projeto interno especial e, segundo a Schaeffler, oferece desempenho superior e intervalos de manutenção mais longos que os modelos convencionais.
Alta precisão
Os rolamentos de precisão, como os de fuso, têm classes de exatidão mais altas (P5, P4) e ângulos menores, como 15°. São usados em máquinas que exigem exatidão e rotação elevada. Na maioria das aplicações de planta, como bombas e motores, o que aparece é a classe P6 ou a padrão.
Os tipos mais usados na indústria
Na prática, os critérios acima se combinam em poucos modelos que aparecem no chão de fábrica:
| Combinação | Onde costuma aparecer |
|---|---|
| Uma carreira, 40° (série 72/73 B), gaiola de latão, universal em par | Bombas centrífugas, bombas API, compressores de parafuso |
| Duas carreiras, 25°, blindado ou vedado | Motores elétricos, ventiladores e sopradores |
| Pareado DB ou DF | Eixos com carga axial nos dois sentidos |
| Pareado em tandem (DT) | Eixos com carga axial forte em um único sentido |
| Alta precisão, 15°, classe P5 ou P4 | Fusos e máquinas de alta rotação |
O que causa falhas prematuras em rolamentos de contato angular?
Um rolamento de contato angular é projetado para ter uma boa resistência a longo prazo, mas muitos param antes disso. Na maioria dos casos, o problema não está na peça: está na montagem, na lubrificação, no ambiente ou na procedência do componente. Veja as causas mais comuns:
1. Montagem invertida ou arranjo errado. Como o rolamento só suporta carga axial em um sentido, instalá-lo virado para o lado errado faz a carga cair no ponto fraco. Em pares, confundir costas com costas, face com face ou tandem muda completamente o comportamento do conjunto;
2. Folga axial ou pré-carga fora do especificado. Pouca folga gera aquecimento, e folga demais deixa o eixo “passeando”. Em bombas, a folga mal ajustada pode ainda fazer as esferas derraparem em vez de rolar, o que desgasta as pistas;
3. Lubrificação inadequada. Pode ser falta de graxa, graxa errada para a temperatura ou o excesso de graxa. O excesso parece cuidado, mas aumenta o atrito, esquenta o conjunto e é uma das falhas de manutenção mais comuns no chão de fábrica;
4. Contaminação. Poeira, água e partículas entram pela vedação e desgastam as pistas por dentro. É o inimigo clássico em mineração, cimento e áreas de lavagem de alimentos. Uma vedação inadequada para o ambiente encurta a vida do rolamento;
5. Desalinhamento e ajustes fora de tolerância. Eixo torto ou alojamento fora de medida faz o rolamento trabalhar sob esforço extra, e ele não foi projetado para isso;
6. Temperatura e sobrecarga. Trabalhar acima do calor ou da carga previstos acelera o desgaste da graxa e da gaiola.
7. Manuseio e armazenamento. Pancada de martelo na montagem, peça guardada em local úmido ou rolamento falsificado, sem rastreabilidade, comprometem o conjunto antes mesmo da partida.
Os sinais mais recorrentes
Antes da falha total, o equipamento costuma avisar:
- Aumento de temperatura no mancal;
- Ruído diferente, como zumbido ou chiado;
- Vibração acima do normal.
O acompanhamento de temperatura e a análise de vibração ajudam a pegar o problema cedo, antes de virar parada de linha.
Onde os rolamentos de contato angular são mais utilizados?
A regra para encontrar esse rolamento é simples: ele aparece onde o eixo recebe empurrão para o lado e ao longo do eixo ao mesmo tempo. Veja por que isso acontece em cada equipamento abaixo:
Bombas centrífugas
Quando o impelidor gira e empurra o líquido, ele também empurra o eixo no sentido contrário. Isso gera carga axial constante, somada ao peso radial do conjunto. Por isso as bombas, especialmente as de serviço pesado e as do tipo API 610, usam rolamentos de uma carreira com ângulo de 40°, em pares, com folga axial controlada.
Em operações do segmento petroquímico, como a do Polo de Camaçari, as aplicações dependem muito desse tipo de componente.
Compressores de parafuso
Aqui os rotores trabalham em alta rotação e geram forças axiais fortes por causa da diferença de pressão no compressor. O rolamento precisa suportar carga combinada e girar rápido sem esquentar. É comum ver versões com gaiola de latão e boa precisão.
Motores elétricos, ventiladores e sopradores
Em ventiladores, o próprio ar empurra o eixo ao longo do seu comprimento. Nos motores, a transmissão pode puxar o eixo para um lado. A versão de duas carreiras é muito usada nesses casos, porque cabe em pouco espaço e aceita carga axial nos dois sentidos.
Máquinas de alta precisão
Em fusos de máquinas-ferramentas, o que importa é rotação alta e exatidão. Entram os rolamentos de ângulo menor (15°) e classe de precisão elevada (P4), que giram rápido com pouca folga.
Como escolher um rolamento de contato angular?
A seleção do rolamento adequado depende da análise de alguns parâmetros fundamentais da aplicação:
1. Para onde aponta a carga axial? Se ela é sempre para o mesmo lado, um rolamento (ou um par em tandem) resolve. Se ela muda de sentido, é preciso um par costas com costas ou face com face, ou uma versão de duas carreiras;
2. Qual o peso da carga axial em relação à radial? Quanto maior a carga axial, maior o ângulo de contato (30° ou 40°). Para rotação alta e carga axial menor, os ângulos de 15° e 25° são mais indicados;
3. A rotação é alta? Nesse caso, olhe a classe de precisão e o tipo de gaiola;
4. Como será a montagem? Se for em par, prefira a versão universal (códigos UA e UL na FAG), feita para ser combinada sem perder o ajuste entre os rolamentos;
5. Como é o ambiente? Com poeira, umidade ou lavagem, escolha uma versão vedada. O sufixo 2RS indica vedação de borracha nos dois lados;
6. Qual a temperatura e a lubrificação? Confirme os limites da graxa e da gaiola para o seu equipamento.
Aprenda a ler o código na prática
Um exemplo FAG real: 7207-B-XL-MP-UA.
- 72: série do rolamento.
- 07: indica o furo (07 equivale a 35 mm).
- B: ângulo de contato de 40°.
- XL: linha X-life, de desempenho superior.
- MP: gaiola de latão usinada.
- UA: universal, para montagem em pares, com pequena folga axial.
Obs: Se o código do rolamento antigo estiver apagado, vale levar o equipamento, as medidas e a aplicação para um especialista conferir antes de comprar.
ROLTEK: Especialista em rolamentos de contato angular
Em uma parada industrial, encontrar o rolamento correto com rapidez pode fazer toda a diferença. Além da especificação técnica, disponibilidade, procedência e segurança na aplicação são fatores que impactam diretamente o tempo de manutenção e a continuidade da operação.
É por isso que a Roltek combina estoque, distribuição e conhecimento técnico para atender demandas de rolamentos de contato angular em diferentes aplicações industriais.
A ROLTEK é a maior distribuidora de rolamentos, correias, mangueiras, buchas, mancais, retentores e componentes de transmissão do Norte-Nordeste, com mais de 5.000 m² distribuídos entre Bahia e Pernambuco. Essa presença física, somada a um amplo estoque de produtos de qualidade e logística própria, permite atender desde necessidades pontuais de manutenção até demandas de maior volume.
Trabalhamos com produtos de procedência garantida e rastreabilidade, distribuídos por canais oficiais. Somos distribuidores autorizados de marcas como Schaeffler (FAG e INA), NTN, Rolmax e BGL, entre outras.
A compra por meio de um distribuidor autorizado reduz os riscos associados a produtos falsificados ou de origem duvidosa, que podem apresentar desempenho inferior, desgaste prematuro e até comprometer a segurança do equipamento.
Precisa de rolamentos industriais com procedência e qualidade? Fale com um especialista da Roltek pelo WhatsApp e encontre a especificação adequada para sua aplicação.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual a diferença entre o rolamento de contato angular e o rígido de esferas?
O rígido de esferas suporta principalmente carga radial e uma carga axial pequena, nos dois sentidos. O de contato angular tem as pistas inclinadas e suporta carga axial bem maior, mas em um único sentido, além da carga radial.
Posso usar um rolamento de contato angular sozinho?
Pode, quando a carga axial tem sempre o mesmo sentido e o projeto do equipamento prevê isso. Na maioria dos casos ele trabalha em pares ou conjuntos, porque a carga radial também gera uma parcela axial que precisa ser equilibrada. Nos casos de espaço curto, a versão de duas carreiras faz esse papel em uma peça só.
O que significam UA, UL e B no código?
O B indica o ângulo de contato de 40° nas séries 72 e 73 da FAG. UA e UL indicam rolamentos universais, que podem ser combinados em pares. O UA tem pequena folga axial e o UL tem leve pré-carga.
Como saber se o rolamento está falhando?
Os sinais mais comuns são aumento de temperatura, ruído diferente do normal e mais vibração. O acompanhamento regular desses três pontos, junto com a análise de vibração, permite trocar o rolamento antes de uma parada não planejada.
