Rolamentos de contato angular: O que são?

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Andrew Santos
Rolamentos e componentes
Publicado em: 6 out 2026 • Tempo de leitura: 15 min
Um rolamento de esferas de contato angular, seguido com um background verde e a marca da Roltek.

Desenvolvidos para aplicações que exigem precisão, desempenho e altas velocidades, os rolamentos de contato angular são rolamentos de esferas projetados para suportar cargas radiais e axiais, sendo indicados principalmente para aplicações que envolvem cargas combinadas.

O seu ângulo de contato permite trabalhar com esforços axiais elevados e proporciona maior estabilidade ao conjunto, especialmente em aplicações de alta velocidade.

São utilizados em máquinas-ferramenta, motores elétricos, bombas, compressores, redutores, fusos de esferas e sistemas de transmissão, entre outras aplicações industriais.

Embora o rolamento de contato angular seja amplamente utilizado em segmentos da indústria, automação, energia efabricação de máquinas, sua aplicação não é universal e fatores como carga, velocidade de rotação,temperatura,espaço disponível e condições de operação são determinantes para o seu desempenho e para evitar falhas prematurasnos rolamentos.

Por isso, neste artigo, vamos explorar passo a passo:

  • O que são os rolamentos de esferas de contato angular;
  • Como funcionam e quais são suas principais características;
  • Quais são os principais tipos e configurações;
  • Em quais aplicações são mais indicados;
  • Quais fatores devem ser considerados na escolha do rolamento adequado;
  • Como uma seleção inadequada pode contribuir para falhas prematuras.

O que são os rolamentos de contato angular? Quais as suas funções?

O rolamento de contato angular é um rolamento de esferas projetado para suportar, ao mesmo tempo, carga radial (que empurra o eixo para o lado) e carga axial (que empurra o eixo ao longo do seu comprimento). A carga axial é suportada em um único sentido.

Como ele funciona?

Imagem ilustrativa de como funciona um rolamento de contato angular, em comparação com um rolamento radial de esferas.

Em um rolamento comum, as esferas ficam alinhadas com o eixo. No contato angular, a linha que passa pelos pontos de contato das esferas com os anéis é inclinada em relação à direção radial, como é possível visualizar na ilustração acima. Pense em uma rampa: a carga não desce reta, ela escorrega para o lado. É essa inclinação que permite ao rolamento “segurar” o empuxo axial além do peso radial.

Por que esse tipo de rolamento quase sempre aparece em pares?

Como a carga radial gera uma parcela axial, esses rolamentos costumam ser usados em pares ou em conjuntos de vários rolamentos. Sozinho, ele empurra o eixo para um lado, e o par equilibra esse efeito. Quando o espaço é curto, existe a versão de duas carreiras, que equivale a um par integrado e suporta carga axial nos dois sentidos.

Quais são as principais características dos rolamentos de contato angular?

O rolamento de contato angular se diferencia dos demais por uma ideia simples: ele foi desenhado para trabalhar em eixos que sofrem empurrão para o lado e empurrão ao longo do eixo ao mesmo tempo. Quase todas as suas outras características partem disso.

Ângulo de contato: a característica que define o rolamento

As esferas encostam nos anéis de forma inclinada, e essa inclinação é o ângulo de contato. Ele é oferecido em 15°, 25°, 30° e 40°, e a escolha muda o comportamento do rolamento:

  • Ângulo maior (40°): aguenta mais carga axial.
  • Ângulo menor (15°): funciona melhor em rotações mais altas.

Nas séries 72 e 73 da FAG, a letra B no código indica o ângulo de 40°. Já dá para ler uma parte da designação só olhando para ela.

Suporta carga radial e axial, mas a axial só em um sentido

O modelo de uma carreira lida bem com carga radial elevada e com carga axial em um único sentido. Se o empurrão axial muda de lado durante a operação, um rolamento sozinho não resolve. É preciso um par ou uma versão de duas carreiras.

Trabalha em pares

Essa é a característica que mais surpreende quem vê o rolamento pela primeira vez. Como a carga radial também gera uma parcela axial, o rolamento “puxa” o eixo para um lado. O par equilibra esse efeito. Os arranjos mais usados são:

  • Costas com costas (DB) e face com face (DF): suportam carga axial nos dois sentidos.
  • Em tandem (DT): concentra a capacidade axial em um sentido só.

Para facilitar a montagem, a FAG oferece versões universais (códigos UA e UL), que podem ser combinadas em par sem perder o ajuste entre os rolamentos.

Existe a versão de duas carreiras

Quando falta espaço, a versão de duas carreiras faz o papel de um par de rolamentos em uma peça só. Ela aceita carga axial nos dois sentidos e é comum em motores elétricos, ventiladores, bombas e compressores.

Rigidez e rotação

Conjuntos de contato angular são rígidos e trabalham bem em alta velocidade, e por isso aparecem em equipamentos que pedem precisão. O tipo de gaiola e a classe de precisão acompanham essa exigência. A gaiola de latão é a mais comum em serviço pesado, e as versões com vedação ajudam a manter a sujeira longe.

Ajuste correto: a folga axial

Este é o ponto onde a teoria encontra a manutenção. O rolamento precisa de uma folga axial (ou leve pré-carga) bem definida. Em bombas, por exemplo, ela evita que as esferas derrapem. Folga errada traz aquecimento, ruído e falha prematura, e depois vem a parada de linha.

Quais são os tipos de rolamentos de contato angular?

Não existe uma lista única de tipos de rolamento de contato angular. Eles são classificados por critérios diferentes: o número de carreiras de esferas, o jeito de montar, o ângulo de contato e o acabamento. Entender cada critério ajuda a ler a ficha técnica e a escolher o modelo certo para o equipamento.

Por número de carreiras

Uma carreira: é o tipo mais comum. Suporta carga radial elevada e carga axial em um único sentido. Por isso quase sempre trabalha em par, como vimos nas características.

Duas carreiras: funciona como um par de rolamentos de uma carreira, costas com costas, dentro de uma peça só. É uma alternativa compacta que aceita carga axial nos dois sentidos. O ângulo padrão é de 25°, e existe a versão de alta capacidade, com ranhura de enchimento, que chega a 32°. É comum em motores elétricos, ventiladores, bombas e compressores.

Quatro pontos de contato: é uma construção especial de uma carreira só que aceita carga axial nos dois sentidos. Faz sentido onde o esforço axial é o protagonista.

Por forma de montagem

Rolamento individual: serve para um único apoio, quando o esforço axial tem sempre o mesmo sentido.

Rolamentos pareados: são fornecidos em conjuntos prontos, em três arranjos principais:

  • Costas com costas (DB): suporta carga axial nos dois sentidos e dá boa rigidez ao conjunto.
  • Face com face (DF): também suporta nos dois sentidos, com comportamento um pouco diferente diante de desalinhamento.
  • Em tandem (DT): divide a carga axial entre os rolamentos, mas em um único sentido.

Universais: são feitos para serem combinados em qualquer um desses arranjos. Na FAG, aparecem com os sufixos UA (pequena folga axial) e UL (leve pré-carga).

Por ângulo de contato

  • 15° a 25°: mais indicados para rotações mais altas.
  • 30° e 40°: mais indicados quando a carga axial pesa mais. O código B das séries 72 e 73 da FAG corresponde a 40°.

Por acabamento e proteção

Abertos: exigem lubrificação e proteção por conta do conjunto.

Blindados ou vedados: trazem proteção contra a entrada de sujeira. O sufixo 2RS indica vedação de borracha nos dois lados, e existem também versões com escudos de chapa de aço. Em ambientes com poeira ou umidade, isso faz diferença na vida útil.

Gaiolas: de poliamida, aço ou latão. O latão usinado aparece mais em serviço pesado, como bombas API e compressores.

Linha X-life (FAG): tem projeto interno especial e, segundo a Schaeffler, oferece desempenho superior e intervalos de manutenção mais longos que os modelos convencionais.

Alta precisão

Os rolamentos de precisão, como os de fuso, têm classes de exatidão mais altas (P5, P4) e ângulos menores, como 15°. São usados em máquinas que exigem exatidão e rotação elevada. Na maioria das aplicações de planta, como bombas e motores, o que aparece é a classe P6 ou a padrão.

Os tipos mais usados na indústria

Na prática, os critérios acima se combinam em poucos modelos que aparecem no chão de fábrica:

CombinaçãoOnde costuma aparecer
Uma carreira, 40° (série 72/73 B), gaiola de latão, universal em parBombas centrífugas, bombas API, compressores de parafuso
Duas carreiras, 25°, blindado ou vedadoMotores elétricos, ventiladores e sopradores
Pareado DB ou DFEixos com carga axial nos dois sentidos
Pareado em tandem (DT)Eixos com carga axial forte em um único sentido
Alta precisão, 15°, classe P5 ou P4Fusos e máquinas de alta rotação

O que causa falhas prematuras em rolamentos de contato angular?

Um rolamento de contato angular é projetado para ter uma boa resistência a longo prazo, mas muitos param antes disso. Na maioria dos casos, o problema não está na peça: está na montagem, na lubrificação, no ambiente ou na procedência do componente. Veja as causas mais comuns:

1. Montagem invertida ou arranjo errado. Como o rolamento só suporta carga axial em um sentido, instalá-lo virado para o lado errado faz a carga cair no ponto fraco. Em pares, confundir costas com costas, face com face ou tandem muda completamente o comportamento do conjunto;

2. Folga axial ou pré-carga fora do especificado. Pouca folga gera aquecimento, e folga demais deixa o eixo “passeando”. Em bombas, a folga mal ajustada pode ainda fazer as esferas derraparem em vez de rolar, o que desgasta as pistas;

3. Lubrificação inadequada. Pode ser falta de graxa, graxa errada para a temperatura ou o excesso de graxa. O excesso parece cuidado, mas aumenta o atrito, esquenta o conjunto e é uma das falhas de manutenção mais comuns no chão de fábrica;

4. Contaminação. Poeira, água e partículas entram pela vedação e desgastam as pistas por dentro. É o inimigo clássico em mineração, cimento e áreas de lavagem de alimentos. Uma vedação inadequada para o ambiente encurta a vida do rolamento;

5. Desalinhamento e ajustes fora de tolerância. Eixo torto ou alojamento fora de medida faz o rolamento trabalhar sob esforço extra, e ele não foi projetado para isso;

6. Temperatura e sobrecarga. Trabalhar acima do calor ou da carga previstos acelera o desgaste da graxa e da gaiola.

7. Manuseio e armazenamento. Pancada de martelo na montagem, peça guardada em local úmido ou rolamento falsificado, sem rastreabilidade, comprometem o conjunto antes mesmo da partida.

Os sinais mais recorrentes

Antes da falha total, o equipamento costuma avisar:

  • Aumento de temperatura no mancal;
  • Ruído diferente, como zumbido ou chiado;
  • Vibração acima do normal.

O acompanhamento de temperatura e a análise de vibração ajudam a pegar o problema cedo, antes de virar parada de linha.

Onde os rolamentos de contato angular são mais utilizados?

A regra para encontrar esse rolamento é simples: ele aparece onde o eixo recebe empurrão para o lado e ao longo do eixo ao mesmo tempo. Veja por que isso acontece em cada equipamento abaixo:

Bombas centrífugas

Quando o impelidor gira e empurra o líquido, ele também empurra o eixo no sentido contrário. Isso gera carga axial constante, somada ao peso radial do conjunto. Por isso as bombas, especialmente as de serviço pesado e as do tipo API 610, usam rolamentos de uma carreira com ângulo de 40°, em pares, com folga axial controlada.

Em operações do segmento petroquímico, como a do Polo de Camaçari, as aplicações dependem muito desse tipo de componente.

Compressores de parafuso

Aqui os rotores trabalham em alta rotação e geram forças axiais fortes por causa da diferença de pressão no compressor. O rolamento precisa suportar carga combinada e girar rápido sem esquentar. É comum ver versões com gaiola de latão e boa precisão.

Motores elétricos, ventiladores e sopradores

Em ventiladores, o próprio ar empurra o eixo ao longo do seu comprimento. Nos motores, a transmissão pode puxar o eixo para um lado. A versão de duas carreiras é muito usada nesses casos, porque cabe em pouco espaço e aceita carga axial nos dois sentidos.

Máquinas de alta precisão

Em fusos de máquinas-ferramentas, o que importa é rotação alta e exatidão. Entram os rolamentos de ângulo menor (15°) e classe de precisão elevada (P4), que giram rápido com pouca folga.

Como escolher um rolamento de contato angular?

A seleção do rolamento adequado depende da análise de alguns parâmetros fundamentais da aplicação:

1. Para onde aponta a carga axial? Se ela é sempre para o mesmo lado, um rolamento (ou um par em tandem) resolve. Se ela muda de sentido, é preciso um par costas com costas ou face com face, ou uma versão de duas carreiras;

2. Qual o peso da carga axial em relação à radial? Quanto maior a carga axial, maior o ângulo de contato (30° ou 40°). Para rotação alta e carga axial menor, os ângulos de 15° e 25° são mais indicados;

3. A rotação é alta? Nesse caso, olhe a classe de precisão e o tipo de gaiola;

4. Como será a montagem? Se for em par, prefira a versão universal (códigos UA e UL na FAG), feita para ser combinada sem perder o ajuste entre os rolamentos;

5. Como é o ambiente? Com poeira, umidade ou lavagem, escolha uma versão vedada. O sufixo 2RS indica vedação de borracha nos dois lados;

6. Qual a temperatura e a lubrificação? Confirme os limites da graxa e da gaiola para o seu equipamento.

Aprenda a ler o código na prática

Um exemplo FAG real: 7207-B-XL-MP-UA.

  • 72: série do rolamento.
  • 07: indica o furo (07 equivale a 35 mm).
  • B: ângulo de contato de 40°.
  • XL: linha X-life, de desempenho superior.
  • MP: gaiola de latão usinada.
  • UA: universal, para montagem em pares, com pequena folga axial.

Obs: Se o código do rolamento antigo estiver apagado, vale levar o equipamento, as medidas e a aplicação para um especialista conferir antes de comprar.

ROLTEK: Especialista em rolamentos de contato angular

Em uma parada industrial, encontrar o rolamento correto com rapidez pode fazer toda a diferença. Além da especificação técnica, disponibilidade, procedência e segurança na aplicação são fatores que impactam diretamente o tempo de manutenção e a continuidade da operação.

É por isso que a Roltek combina estoque, distribuição e conhecimento técnico para atender demandas de rolamentos de contato angular em diferentes aplicações industriais.

A ROLTEK é a maior distribuidora de rolamentos, correias, mangueiras, buchas, mancais, retentores e componentes de transmissão do Norte-Nordeste, com mais de 5.000 m² distribuídos entre Bahia e Pernambuco. Essa presença física, somada a um amplo estoque de produtos de qualidade e logística própria, permite atender desde necessidades pontuais de manutenção até demandas de maior volume.

Trabalhamos com produtos de procedência garantida e rastreabilidade, distribuídos por canais oficiais. Somos distribuidores autorizados de marcas como Schaeffler (FAG e INA), NTN, Rolmax e BGL, entre outras.

A compra por meio de um distribuidor autorizado reduz os riscos associados a produtos falsificados ou de origem duvidosa, que podem apresentar desempenho inferior, desgaste prematuro e até comprometer a segurança do equipamento.

Precisa de rolamentos industriais com procedência e qualidade? Fale com um especialista da Roltek pelo WhatsApp e encontre a especificação adequada para sua aplicação.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual a diferença entre o rolamento de contato angular e o rígido de esferas?

O rígido de esferas suporta principalmente carga radial e uma carga axial pequena, nos dois sentidos. O de contato angular tem as pistas inclinadas e suporta carga axial bem maior, mas em um único sentido, além da carga radial.

Posso usar um rolamento de contato angular sozinho?

Pode, quando a carga axial tem sempre o mesmo sentido e o projeto do equipamento prevê isso. Na maioria dos casos ele trabalha em pares ou conjuntos, porque a carga radial também gera uma parcela axial que precisa ser equilibrada. Nos casos de espaço curto, a versão de duas carreiras faz esse papel em uma peça só.

O que significam UA, UL e B no código?

O B indica o ângulo de contato de 40° nas séries 72 e 73 da FAG. UA e UL indicam rolamentos universais, que podem ser combinados em pares. O UA tem pequena folga axial e o UL tem leve pré-carga.

Como saber se o rolamento está falhando?

Os sinais mais comuns são aumento de temperatura, ruído diferente do normal e mais vibração. O acompanhamento regular desses três pontos, junto com a análise de vibração, permite trocar o rolamento antes de uma parada não planejada.