
A carga radial é uma força que atua perpendicularmente ao eixo de rotação, enquanto carga axial atua paralelamente a ele, empurrando ou puxando o conjunto no sentido do comprimento.
A maioria dos equipamentos industriais, como motores, redutores, bombas e correias transportadoras, trabalha com uma combinação dos dois esforços em diferentes proporções.
Escolher um rolamento sem identificar corretamente essa combinação é uma das causas mais comuns de falha prematura, superaquecimento e parada não programada de linha.
Neste guia vamos explicar, de forma direta e aplicada, o que são as cargas radiais e axiais, as suas diferenças, como identificar cada tipo de carga e qual família de rolamento é indicada para cada cenário.
O que são cargas em um rolamento?

Carga, em termos mecânicos, é toda força que atua sobre um componente e que ele precisa suportar sem perder sua função, no caso do rolamento, sem perder a capacidade de girar com baixo atrito e folga controlada.
Quando um eixo gira dentro de um mancal, ele raramente está sujeito a apenas uma força isolada. O peso do próprio eixo, o peso de polias e engrenagens montadas nele, o empuxo gerado por um fluido bombeado, a tração de uma correia ou o desalinhamento de um acoplamento geram forças que se decompõem em dois componentes principais: um que empurra o eixo para os lados (perpendicular) e outro que empurra o eixo para frente ou para trás (paralelo ao seu comprimento).
A direção e a intensidade dessas forças determinam qual geometria interna de rolamento é capaz de suportá-las sem gerar concentração de tensão excessiva nas pistas e nos elementos rolantes (esferas, rolos cilíndricos, rolos cônicos ou agulhas). Um rolamento projetado para um tipo de esforço, quando submetido predominantemente ao outro, tende a apresentar desgaste irregular, ruído e redução severa da vida útil, mesmo que esteja bem lubrificado e dentro da carga nominal em termos de magnitude.
O que é a carga radial?
Carga radial é a força que atua perpendicularmente ao eixo de rotação, ou seja, no sentido do raio do rolamento, empurrando o eixo “para os lados” em relação à sua linha de centro.
Dentro do rolamento, essa força é distribuída entre os elementos rolantes que estão na zona de carga, geralmente a região inferior do rolamento, onde o peso e os esforços de operação se concentram.
As pistas interna e externa transferem essa força através das esferas ou rolos, e quanto maior a área de contato entre o elemento rolante e a pista, maior a capacidade radial do rolamento.
Exemplos práticos de carga radial:
- Motores elétricos: o peso do rotor e o desbalanceamento residual geram carga radial constante sobre os rolamentos do eixo;
- Polias: a tração da correia sobre a polia gera um esforço radial que se transmite ao mancal;
- Correias transportadoras: os roletes e tambores de acionamento trabalham sob carga radial constante, somada ao peso do material transportado;
- Ventiladores industriais: o peso do rotor e o empuxo aerodinâmico do fluxo de ar geram carga predominantemente radial;
- Equipamentos agrícolas: eixos de transmissão em colhedoras e implementos operam sob carga radial variável, muitas vezes com choque e vibração.
Quais rolamentos são indicados para cargas radiais?
- Rolamentos rígidos de esferas: Os rígidos de esferas são a solução mais versátil para carga radial pura ou predominante, com boa capacidade de operação em altas rotações e baixo atrito. É o tipo mais utilizado na indústria em geral, principalmente em motores elétricos e ventiladores por essa razão;
- Rolamentos autocompensadores: Os autocompensadores são indicados quando existe risco de desalinhamento do eixo, pois a pista externa esférica permite um pequeno desvio angular sem gerar carga adicional sobre os elementos rolantes. Muito usados em transportadores contínuos e equipamentos agrícolas sujeitos a flexão de eixo;
- Rolamentos de rolos cilíndricos: São indicados quando a carga radial é elevada, pois o contato linear entre rolo e pista distribui a força em uma área maior do que o contato pontual das esferas. Aplicação típica em redutores e caixas de engrenagens;
- Rolamentos de agulhas: Geralmente indicados quando o espaço radial disponível é limitado, mas a carga radial ainda é significativa. Muito usados em conjuntos compactos de transmissão.
O que é carga axial?
Carga axial é a força que atua paralelamente ao eixo de rotação, empurrando o conjunto no sentido do seu comprimento, para dentro ou para fora do mancal.
Existe uma diferença prática entre “empurrar” e “puxar” um eixo: em algumas aplicações, a carga axial atua em um único sentido (por exemplo, o peso de um eixo vertical atuando para baixo), enquanto em outras ela pode se inverter dependendo do sentido de rotação ou da fase de operação do equipamento (como em fusos que avançam e recuam).
Essa diferença influencia diretamente se o rolamento precisa suportar carga axial em um sentido apenas ou nos dois sentidos.
Aplicações comuns da carga axial:
- Fusos: o movimento de avanço em máquinas de usinagem gera carga axial ao longo de todo o curso;
- Redutores: engrenagens helicoidais e cônicas geram, por geometria, um componente de força axial que precisa ser absorvido pelo mancal;
- Bombas verticais: o peso do próprio eixo, do impelidor e do fluido bombeado gera carga axial constante no sentido do comprimento do eixo;
- Mesas giratórias: o peso da carga apoiada sobre a mesa é transmitido como carga axial ao sistema de rolamentos de apoio;
- Sistemas de transmissão: acoplamentos com desalinhamento angular ou engrenagens cônicas introduzem componentes axiais que precisam ser previstos no dimensionamento.
Quais rolamentos são indicados para cargas axiais?
- Rolamentos axiais de esferas: São indicados para cargas axiais puras em baixa e média rotação, como em mesas giratórias e sistemas de apoio vertical. Não suportam carga radial;
- Rolamentos axiais de rolos: indicados quando a carga axial é elevada e a rotação é moderada, já que o contato linear dos rolos suporta esforços maiores que as esferas;
- Rolamentos de contato angular: Geralmente utilizados quando existe carga axial combinada com carga radial significativa. O ângulo de contato interno permite absorver os dois esforços simultaneamente, sendo muito usados em fusos de máquinas-ferramenta e bombas;
- Rolamentos de rolos cônicos: Frequentemente indicados para cargas combinadas elevadas, principalmente em aplicações com choque e variação de carga, como redutores industriais e cubos de roda. Por trabalharem na maioria das aplicações em pares (montagem em espelho), suportam carga axial nos dois sentidos.
Diferença entre carga radial e carga axial
| Critério | Carga Radial | Carga Axial |
|---|---|---|
| Direção da força | Perpendicular ao eixo de rotação | Paralela ao eixo de rotação |
| Forma de atuação | Empurra o eixo lateralmente (no sentido do raio) | Empurra ou puxa o eixo no sentido do comprimento |
| Exemplos de aplicação | Motores elétricos, polias, correias transportadoras, ventiladores | Fusos, bombas verticais, mesas giratórias, redutores |
| Rolamentos indicados | Rígidos de esferas, autocompensadores, rolos cilíndricos, agulhas | Axiais de esferas, axiais de rolos, contato angular, rolos cônicos |
O que é carga combinada em rolamentos?
Na prática industrial, é raro um equipamento sofrer apenas um tipo de esforço de forma isolada. A maioria dos ativos rotativos trabalha sob carga combinada, uma composição simultânea de carga radial e carga axial, em proporções que variam conforme o projeto mecânico e a condição de operação.
Essa combinação muda completamente a lógica de seleção do rolamento. Não basta verificar se o componente suporta a magnitude total da força; é preciso verificar a relação entre a parcela axial e a parcela radial, porque cada família de rolamento tem uma capacidade diferente de absorver essa combinação sem gerar desgaste desigual entre as pistas e os elementos rolantes.
Exemplos mais comuns de aplicações com carga combinada:
- Bombas industriais: o peso do eixo e o desbalanceamento hidráulico geram carga radial, enquanto o empuxo do fluido bombeado gera carga axial;
- Redutores: o engrenamento helicoidal ou cônico gera, por geometria, componentes radiais e axiais simultâneos;
- Equipamentos agrícolas: eixos de transmissão com engrenagens cônicas e desalinhamento operacional combinam os dois esforços de forma variável;
- Máquinas industriais: fusos e eixos de acionamento com carga de trabalho lateral e avanço longitudinal;
- Cubos de roda: suportam o peso do veículo (radial) e as forças de curva e frenagem (axial) ao mesmo tempo, por isso normalmente usam rolamentos de rolos cônicos em par.
Como identificar se uma aplicação possui carga radial ou axial?
Os 5 passos pra saber qual tipo carga atua sobre um rolamento:
- Observar a direção em que a força é efetivamente aplicada sobre o eixo seja ele lateral, longitudinal ou as duas.
- Avaliar o tipo de movimento do eixo: rotação pura tende a gerar mais carga radial, enquanto avanço, empuxo ou apoio de peso vertical geram carga axial;
- Consultar a especificação técnica do fabricante do equipamento, que normalmente indica a magnitude e a direção das cargas previstas em projeto;
- Analisar o sistema de transmissão: engrenagens retas geram principalmente carga radial, enquanto engrenagens helicoidais e cônicas introduzem componente axial por geometria;
- Considerar a velocidade de operação e as condições ambientais, já que rotações elevadas combinadas com carga axial exigem rolamentos com maior capacidade de dissipação térmica;
Quando há dúvida sobre a composição real da carga, o mais seguro é considerar a aplicação como carga combinada e dimensionar o rolamento pela relação entre as duas forças, e não apenas pela magnitude isolada de uma delas.
O que acontece quando um rolamento recebe a carga incorreta?
Quando um rolamento projetado para um tipo de esforço é submetido predominantemente ao outro, por exemplo, um rolamento rígido de esferas recebendo carga axial acima do que ele foi projetado para suportar, as consequências aparecem de forma progressiva:
- Redução da vida útil: a concentração de tensão fora da zona de carga prevista acelera a fadiga do material das pistas;
- Superaquecimento: o atrito interno aumenta quando os elementos rolantes trabalham fora do ângulo de contato ideal;
- Vibração excessiva: a folga interna se comporta de forma instável quando a carga não é distribuída como previsto;
- Ruídos anormais: costumam ser o primeiro sintoma perceptível em campo, antes de qualquer leitura de temperatura ou vibração;
- Desgaste prematuro: marcas irregulares nas pistas, muitas vezes concentradas em um único lado;
- Falha da gaiola: a gaiola pode sofrer deformação ou ruptura quando os elementos rolantes são forçados para fora de sua trajetória normal;
- Paradas inesperadas de máquinas: o desfecho mais caro de toda essa cadeia, principalmente em linhas de produção contínua.
O impacto financeiro raramente está concentrado no custo do rolamento em si. Está na hora de máquina parada, na mão de obra de manutenção corretiva não planejada, no risco de dano a componentes adjacentes (eixo, mancal, acoplamento) e, em muitos casos, na perda de produção em um turno inteiro por conta de uma especificação incorreta feita na hora da compra de emergência.
Tipos de rolamentos e suas capacidades de carga
| Tipo de rolamento | Capacidade radial | Capacidade axial | Aplicações principais |
|---|---|---|---|
| Rolamento rígido de esferas | Alta | Baixa a moderada | Motores elétricos, ventiladores, bombas de baixa carga |
| Rolamento de contato angular | Alta | Alta | Fusos, bombas centrífugas, sistemas com carga combinada |
| Rolamento de rolos cônicos | Alta | Alta (em par) | Redutores, cubos de roda, equipamentos com choque |
| Rolamento de rolos cilíndricos | Muito alta | Muito baixa ou nula | Redutores, caixas de engrenagens, cargas radiais elevadas |
| Rolamento axial | Nula ou muito baixa | Alta | Mesas giratórias, bombas verticais, apoio de carga axial pura |
Onde comprar rolamentos com especificação técnica?
Escolher o tipo de rolamento correto de acordo com as condições de operação contribui para aumentar a vida útil dos componentes, reduzir falhas inesperadas, minimizar custos de manutenção e elevar a confiabilidade da operação.
Por isso, fatores como direção da carga, intensidade, velocidade de rotação e características da aplicação devem sempre ser considerados durante a especificação.
Se você busca rolamentos para cargas radiais, axiais ou combinadas, contar com uma equipe especializada faz toda a diferença. A Roltek oferece um amplo portfólio de rolamentos, correias e mangueiras industriais e agrícolas das principais marcas do mercado e suporte técnicopara ajudar sua empresa a encontrar a solução ideal para cada aplicação industrial.
A nossa missão é ir além do fornecimento de componentes industriais. Trabalhamos para oferecer conhecimento técnico, suporte especializado, agilidade de entrega e soluções que contribuam para aumentar a confiabilidade, a produtividade e a disponibilidade dos equipamentos dos nossos clientes.
Esse é o DNA Roltek.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre carga radial e carga axial em rolamentos?
A carga radial atua perpendicularmente ao eixo, na direção do raio do rolamento. Já a carga axial atua paralelamente ao eixo, empurrando o rolamento no sentido do seu comprimento.
Um rolamento rígido de esferas suporta os dois tipos de carga?
Sim. Rolamentos rígidos de esferas absorvem tanto cargas radiais quanto axiais moderadas simultaneamente, o que os torna versáteis para a maioria das aplicações industriais de uso geral. Quando a capacidade radial de um rolamento de uma carreira não é suficiente para o esforço da máquina, parte-se para o modelo de duas carreiras.
Quando é necessário um rolamento específico para carga axial elevada?
Quando o equipamento trabalha sob empuxo constante e intenso, como em sistemas de fixação de eixos verticais ou processos com pressão contínua ao longo do eixo. Nesses casos, rolamentos axiais de esferas ou de contato angular são dimensionados especificamente para suportar esse esforço sem perda prematura de capacidade de carga.
Carga combinada (radial + axial) exige um rolamento diferente?
Sim. Quando a aplicação gera esforço nas duas direções ao mesmo tempo, comum em redutores e bombas centrífugas com desalinhamento leve, o dimensionamento deve considerar rolamentos de rolos cônicos ou de contato angular, projetados para absorver a combinação sem comprometer a vida útil do conjunto.
Como saber se um rolamento está sofrendo mais carga axial do que deveria suportar?
Sinais como aumento de temperatura na carcaça, ruído incomum durante a rotação e desgaste irregular nas pistas do rolamento geralmente indicam desalinhamento ou excesso de empuxo axial não previsto no projeto original da máquina.
O que acontece se o rolamento errado for usado para o tipo de carga da aplicação?
O atrito interno aumenta, a temperatura de operação sobe e a distribuição de carga sobre os elementos rolantes fica desigual. Esse desequilíbrio acelera o desgaste e reduz drasticamente a vida útil do rolamento, muitas vezes levando à falha antes do prazo previsto pelo fabricante.
