
Quando falamos de indústria, o segmento petroquímico talvez seja um dos mais complexos. A petroquímica é o ramo industrial responsável por transformar derivados do petróleo e do gás natural em uma ampla variedade de produtos utilizados no nosso dia a dia, como plásticos, resinas, fibras sintéticas, solventes, fertilizantes e diversos outros insumos fundamentais para diferentes cadeias produtivas
Por envolver processos contínuos, altas temperaturas, pressão elevada e operações que exigem máxima confiabilidade, a indústria petroquímica depende de equipamentos preparados para trabalhar em condições extremamente severas. Bombas, compressores, motores, ventiladores e outros equipamentos rotativos precisam operar de forma segura e eficiente para garantir a continuidade da produção.
E é por toda essa complexidade que resolvemos fazer esse artigo. Aqui, você irá entender quais são os tipos de rolamentosutilizados na indústria petroquímica, os principais critérios de escolha, as melhores marcas e boas práticas de lubrificação industrial e manutenção.
Quais são os rolamentos mais usados no segmento petroquímico?
Entre os principais tipos de rolamentos utilizados na indústria petroquímica, o rolamento rígido de esferas ocupa um lugar de destaque. Sua combinação de versatilidade, confiabilidade e facilidade de aplicação faz com que ele seja amplamente empregado em diferentes equipamentos rotativos, desde motores elétricos até bombas e ventiladores industriais.
1. Rolamentos Rígidos de Esferas
O rolamento rígido de esferasé a base da maioria das especificações em qualquer planta industrial, e a petroquímica não é exceção. Suporta cargas radiais e uma parcela moderada de carga axial, opera bem em alta rotação e, quando vedado (sufixo 2RS ou 2Z), normalmente não exigindo relubrificação durante a sua vida útil.
Modelos de maior consumo: série 62XX (leve) e 63XX (média), como o 6208, 6210, 6312 e 6314, em furos de 40 mm a 70 mm, faixa típica de motores elétricos de média e alta potência usados na petroquímica.
Onde é usado:
- Motores elétricos de bombas e ventiladores de processo;
- Exaustores e sopradores de linha;
- Redutores de menor e médio porte;
- Bombas centrífugas auxiliares (água de resfriamento, utilidades).
2. Rolamentos Autocompensadores de Rolos
O rolamento autocompensador de rolos resolve um dos problemas mais recorrentes da petroquímica: o desalinhamento térmico. Eixos longos de redutores, agitadores de reatores e transportadores de matéria-prima se expandem de forma desigual ao longo do turno de operação contínua, e a pista externa esférica desse rolamento absorve esse desalinhamento sem transferir esforço extra ao eixo, algo que um rolamento rígido não tolera.
Modelos de maior consumo: série 222XX e 232XX, como o FAG 22215, 22220 e 23222, voltados para carga radial pesada combinada com carga axial moderada.
Onde é usado:
- Redutores de agitadores e misturadores de reatores;
- Transportadores de correia de matéria-prima e produto final;
- Ventiladores e exaustores de grande porte;
- Torres de resfriamento (eixos de ventilador induzido).
3. Rolamentos de Rolos Cilíndricos
Projetados para suportar cargas radiais muito elevadas em alta velocidade, os rolamentos de rolos cilíndricos possuem a vantagem de serem separáveis, permitindo que o anel interno seja desmontado do externo sem necessidade de retirar o eixo inteiro, o que facilita inspeções periódicas em equipamentos críticos que não podem ficar parados por muito tempo.
Modelos de maior consumo: série NU2XX e NU22XX, como o NU210, NU2214 e NU222, usados no lado de acionamento de equipamentos rotativos de grande porte.
Onde é usado:
- Motores elétricos de grande porte que acionam trens de compressão;
- Compressores centrífugos e de parafuso de processo;
- Turbinas a vapor de geração interna;
- Redutores de alta velocidade.
4. Rolamentos Axiais de Esferas
Bem diferente dos rolamentos de rolos cilíndricos, os rolamentos axiais são voltados exclusivamente para carga axial pura, em velocidade baixa a moderada. Não é o rolamento mais numeroso da planta, mas costuma ser insubstituível nos pontos em que o esforço é predominantemente axial e um rolamento radial não teria como absorver esse tipo de carga.
Na indústria petroquímica, os modelos de rolamentos axiais mais utilizados são os de série 511XX e 512XX (rolamento axial de esferas simples ou duplo efeito).
Onde é usado:
- Base de bombas verticais de processo;
- Redutores com eixo vertical, onde o peso da carga gera empuxo axial constante;
- Compressores centrífugos e de gás.
5. Rolamentos de Esferas de Contato Angular
Os rolamentos de contato angular combinam carga radial e axial simultânea em um único elemento, o que os torna a escolha natural para equipamentos que giram em alta rotação e ainda recebem empuxo axial do próprio fluido de processo.
No segmento petroquímico, são muito utilizados os rolamentos de contato angular de série 72XX (fileira simples, montados em par) e 32XX (fileira dupla), como o 7208, 7308 e 3220.
Onde é usado:
- Compressores centrífugos de processo;
- Bombas de processo de alta rotação;
- Motores elétricos de grande porte que acionam trens de compressão de gás.
Dependendo do projeto do equipamento, compressores centrífugos também podem utilizar mancais hidrodinâmicos ou soluções específicas definidas pelo fabricante.
Qual rolamento mais indicado para cada aplicação?
| Tipo | Carga predominante | Velocidade | Exemplo | Aplicação típica na petroquímica |
|---|---|---|---|---|
| Rígido de esferas | Radial + axial leve | Alta | 6208 / 6312 | Motores e bombas auxiliares |
| Autocompensador de rolos | Radial pesada + axial moderada | Baixa a média | 22215 / 22220 | Redutores de agitadores, transportadores |
| Rolos cilíndricos | Radial pesada | Alta | NU210 / NU2214 | Motores grandes, compressores |
| Axial de esferas | Axial pura | Baixa a moderada | 511XX / 512XX | Bombas verticais, válvulas grandes |
| Contato angular | Radial + axial combinada | Alta | 7208 / 3220 | Compressores centrífugos, bombas |
Desafios técnicos do ambiente petroquímico
A corrosão química é o desafio mais característico do setor. Vapores, respingos e lavagem periódica de equipamentos degradam vedações comuns e contaminam a graxa muito mais rápido do que em uma planta de manufatura convencional. Para esses pontos, existem soluções específicas de fabricante, como a linhaFAG Black Series, com anéis com revestimento de oxidação preta e vedação com arruela zincada e blindagem vulcanizada, aumentando a proteção contra contaminantes externos em aplicações sujeitas a ambientes agressivos
Outros fatores que se somam nesse ambiente são:
- Temperatura de processo elevada: reatores, extrusoras e linhas de processo térmico frequentemente operam acima da faixa de trabalho de uma graxa convencional, exigindo reformulação da lubrificação, não apenas do rolamento;
- Atmosferas classificadas (áreas ATEX): zonas com risco de explosão exigem rolamentos e sistemas de monitoramento certificados para não se tornarem fonte de ignição;
- Vibração contínua: a operação 24 horas por dia acelera qualquer folga de montagem ou desalinhamento residual, o que reforça a importância do autocompensador de rolos em equipamentos de grande porte;
- Desalinhamento térmico: eixos longos se expandem de forma desigual ao longo do turno, o que já é endereçado pela escolha certa entre rolamento rígido e autocompensador.
Lubrificação de rolamentos na petroquímica
A escolha da graxa precisa acompanhar a temperatura real do ponto de aplicação, não a temperatura ambiente da planta. Isso separa claramente dois grupos de equipamentos na petroquímica:
| Faixa de temperatura | Graxa indicada | Exemplo de aplicação |
|---|---|---|
| Até 120°C | Lítio convencional (ex: graxa azul FAG, -35°C a 120°C) | Motores, bombas auxiliares, redutores de menor exigência |
| Até 160°C contínuos | Arcanol TEMP110 (poliureia com aditivo EP) | Pontos de processo com aquecimento moderado |
| Até 180°C contínuos | Arcanol TEMP120 (sabão complexo de lítio, alta resistência à água) | Linhas de processo térmico, secagem, equipamentos próximos a fornos |
Usar uma graxa de faixa mais baixa em um ponto que trabalha acima do limite térmico dela é uma das causas mais comuns de falha prematura no setor petroquímico: a graxa perde consistência, escoa do rolamento e deixa de proteger contra corrosão e contaminação exatamente no ponto crítico do processo.
Boas práticas de manutenção e monitoramento
Apesar disso não ser específico para a indústria petroquímica, separamos algumas boas práticas de manutenção:
- Especificar vedação (2RS, 2Z ou revestimento anticorrosivo) compatível com o grau de exposição química do ponto;
- Definir intervalo de relubrificação com base em carga, rotação e temperatura real, não em um calendário genérico;
- Monitorar vibração e temperatura continuamente nos equipamentos críticos do trem de processo, como já discutimos no comparativo entremanutenção preventiva e preditiva;
- Evitar excesso de graxa na relubrificação, o excesso gera aquecimento e degrada o próprio lubrificante;
- Armazenar rolamentos sobressalentes na embalagem original, longe de umidade e vibração, respeitando o prazo de vida de prateleira recomendado pelo fabricante.
Onde encontrar rolamentos para a indústria petroquímica?
Especificar o rolamento certo para cada ponto crítico de um trem de compressão ou de uma bomba de processo exige suporte técnico, não apenas catálogo.
A Roltek é a maior distribuidora de rolamentos, correias e mangueiras industriais e agrícolas do Norte-Nordeste, com sede na Bahia e em Pernambuco, trabalhando com as principais marcas do mercado e suporte técnico especializado para especificação de aplicação.
Há mais de duas décadas no mercado, somos especialistas em soluções para aplicações industriais críticas, atendendo setores como petroquímico, mineração, siderurgia, metalurgia, entre outros segmentos que exigem alta confiabilidade e desempenho operacional.
Se sua planta precisa de rolamentos para bombas, compressores, redutores ou agitadores de processo, fale agora com nossa equipe comercial e solicite uma cotação com apoio de especificação técnica.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual rolamento é mais indicado para compressores centrífugos na petroquímica?
O rolamento de esferas de contato angular, por suportar carga radial e axial combinada em alta rotação, exatamente o tipo de esforço gerado pelo empuxo do gás de processo em compressores.
Por que rolamentos falham mais rápido na petroquímica do que em outros setores?
A combinação de exposição química, temperatura elevada e operação contínua 24 horas acelera a degradação da graxa e do material de vedação. Quando a especificação não considera essas três variáveis juntas, a vida útil real fica bem abaixo da vida calculada em catálogo.
Posso usar a mesma graxa em todos os pontos de lubrificação da planta?
Não é recomendado. Pontos que operam até 120°C são bem atendidos por uma graxa de lítio convencional, enquanto pontos que passam de 150-160°C exigem graxas específicas como a linha Arcanol TEMP110/TEMP120, formuladas para não perder consistência sob calor contínuo.
Qual a diferença prática entre rolamento rígido de esferas e autocompensador de rolos?
O rígido de esferas atende bem cargas radiais moderadas com pouca tolerância a desalinhamento. O autocompensador de rolos foi desenvolvido justamente para absorver desalinhamento angular, o que o torna preferível em eixos longos sujeitos a expansão térmica, muito comum em redutores e agitadores de reatores.
Existe rolamento com proteção extra contra corrosão para ambiente petroquímico?
Sim. Linhas como a FAG Black Series usam anéis com revestimento de oxidação preta e vedação reforçada (arruela zincada e blindagem vulcanizada) para manter a graxa interna protegida de contaminantes externos em ambientes agressivos.
Com que frequência devo relubrificar rolamentos em ambiente petroquímico?
Não existe um número universal, o intervalo correto depende da carga, da rotação e da temperatura real do ponto de aplicação, e deve ser ajustado com apoio de monitoramento de vibração e temperatura, não por um calendário fixo
