As graxas para alta temperatura são formuladas para manter a lubrificação e a proteção dos rolamentos mesmo sob calor intenso. Enquanto graxas convencionais trabalham bem até cerca de 120 °C, aplicações mais severas exigem formulações avançadas, como a Graxazul Plex FAG, desenvolvida para suportar temperaturas mais elevadas sem perder desempenho.
Neste guia, você vai entender quando realmente vale utilizar uma graxa para alta temperatura e como evitar erros que reduzem a vida útil dos equipamentos.

Por que a temperatura ainda é um dos principais vilões da lubrificação industrial?
Nos processos industriais do Norte e Nordeste do Brasil, da indústria de alimentos ao agronegócio da região MATOPIBA, passando pela cerâmica e mineração, os equipamentos operam frequentemente em condições de calor elevado. Motores elétricos em ambientes fechados, fornos de secagem, exaustores de processo, mancais próximos a caldeiras: todos exigem uma decisão técnica consciente sobre o tipo de graxa a aplicar.
O problema mais comum na prática é simples: o técnico de manutenção aplica a graxa disponível no estoque, sem considerar a temperatura de operação real do rolamento. Isso não significa negligência, mas significa ausência de informação técnica no momento certo.
Graxas convencionais, quando submetidas a temperaturas acima de seu limite de trabalho, passam por um processo de oxidação acelerada, perdem viscosidade, formam resíduos (vernizes e coque) e evaporam o óleo base. O resultado é um rolamento sem película lubrificante adequada, operando em atrito seco, e uma falha que poderia ter sido evitada com a especificação correta.
O que diferencia uma graxa de alta temperatura?
A composição de qualquer graxa industrial envolve três elementos: óleo base, espessante (sabão) e aditivos. Para aplicações a quente, cada um desses elementos precisa ser dimensionado para resistir à degradação térmica.
Ponto de gota: o critério mais importante
O ponto de gota é a temperatura na qual a graxa começa a se liquefazer (derretimento) e perder estrutura. Graxas de lítio simples têm ponto de gota em torno de 170–180°C. Graxas de complexo de lítio atingem valores acima de 250°C. Graxas sintéticas com poliureia ou sulfonato de cálcio podem ultrapassar 300°C.
A regra prática: a temperatura de operação do rolamento deve ficar pelo menos 50°C abaixo do ponto de gota da graxa utilizada.
Espessantes mais comuns para altas temperaturas
- Complexo de lítio: excelente equilíbrio entre desempenho térmico, resistência à água e capacidade EP (extrema pressão). É o espessante da Graxazul Plex FAG.
- Sulfonato de cálcio: elevada capacidade de carga e resistência à lavagem, muito usado em mineração, siderurgia e ambientes úmidos.
- Poliureia: alta resistência à oxidação e longa vida útil em altas rotações. Comum em motores elétricos selados.
- PTFE (Teflon): aditivo sólido de baixo atrito utilizado em algumas graxas especiais para reduzir desgaste e melhorar o deslizamento em aplicações específicas.
Viscosidade do óleo base
Em temperaturas altas, graxas com óleo base de viscosidade mais elevada mantêm melhor o filme lubrificante. A Graxazul Plex trabalha com viscosidade cinemática de 126–160 cSt a 40°C, compatível com a maioria dos rolamentos industriais de média carga e velocidade moderada.
Graxazul Plex FAG: quando e por que usar

A Graxazul Plex é a versão de alto desempenho da linha Graxazul da FAG (marca do Grupo Schaeffler, mesmo grupo da INA), formulada especificamente com sabão de complexo de lítio, diferenciando-se da Graxazul padrão, que é base de lítio simples.
Especificações técnicas principais
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Base | Óleo mineral parafínico altamente refinado |
| Espessante | Complexo de lítio (8–12%) |
| Grau NLGI | 2 |
| Temperatura de operação contínua | -5°C a 130°C |
| Ponto de gota | >250°C |
| Penetração trabalhada (60.000x) | 265–295 mm/10 |
| Aditivos EP | Presentes |
| Cor | Azul |
Diferenciais práticos em campo
Ponto de gota acima de 250°C: Garante que, mesmo em picos de temperatura, a graxa não se liquefaza nem abandona a pista do rolamento. A Graxazul padrão (lítio simples) tem ponto de gota em torno de 180°C, ou seja, a Plex entrega uma margem de segurança significativamente maior.
Aditivos EP (Extrema Pressão): Fazem diferença em aplicações com cargas de choque, como transportadores com partida a cheio ou mancais em equipamentos agrícolas pesados.
Bombeabilidade adequada: O produto é compatível com sistemas de lubrificação centralizada, o que facilita a implantação de rotas de lubrificação programada sem necessidade de intervenção manual em cada ponto.
Resistência à lavagem por água: Relevante em processos com presença de vapor, condensação ou limpeza por aspersão, como encontrado em indústrias de alimentos e bebidas.
Quando a Graxazul Plex é a escolha correta?
- Rolamentos de motores elétricos em ambientes com temperatura ambiente elevada (acima de 40°C) ou próximos a fontes de calor
- Exaustores e ventiladores industriais em operação contínua
- Transportadores de processo expostos a calor irradiado
- Mancais em equipamentos agroindustriais (prensas, secadores, despolpadores)
- Qualquer aplicação em que a Graxazul padrão demonstre intervalo de relubrificação muito curto — sinal de que a temperatura está degradando o lubrificante antes do tempo
Quando a Graxazul Plex não é suficiente
Situações com temperatura de operação acima de 150°C de forma contínua demandam formulações sintéticas (poliureia, PTFE ou sulfonato de cálcio). Nesses casos, é necessário especificar um produto dedicado para extremas temperaturas. Um distribuidor técnico experiente pode orientar essa transição.
Se você já leu nosso artigo sobre graxa azul FAG para rolamentos, vale a comparação direta: a Graxazul padrão cobre a maioria das aplicações industriais convencionais. A Plex é o passo seguinte quando a demanda térmica é maior.
Erros comuns na lubrificação de rolamentos em alta temperatura
Atribuir a temperatura do forno ao rolamento: Um rolamento instalado a 40 cm de um forno a 300°C pode operar a apenas 80°C, dependendo do isolamento e da ventilação. Medir a temperatura real do mancal, com pirômetro ou sensor de contato, é o ponto de partida correto para qualquer especificação.
Usar excesso de graxa para compensar: Mais graxa não substitui o produto correto. O excesso provoca churning (agitação mecânica), que gera calor adicional e acelera a degradação, efeito contrário ao desejado.
Misturar graxas de bases incompatíveis. Complexo de lítio e lítio simples são geralmente compatíveis. Porém, misturar com poliureia ou cálcio pode causar separação de fases e colapso da consistência. Ao migrar de produto, limpe o mancal completamente antes de aplicar a nova graxa.
Ignorar o intervalo de relubrificação. Em ambientes quentes, o intervalo deve ser recalculado. A Schaeffler, por exemplo, disponibiliza o calculador de intervalo de relubrificação considerando temperatura, velocidade e tipo de rolamento, uma referência útil para quem está estruturando um plano de lubrificação industrial.
Boas práticas para aplicação em campo
Uma lubrificação bem-feita com o produto correto começa antes de abrir a embalagem:
- Meça a temperatura real do mancal antes de selecionar o produto. Use pirômetro ou sensor de contato na carcaça.
- Identifique o espessante atual: Misturar bases incompatíveis compromete ambas as graxas.
- Aplique a quantidade correta: Para rolamentos de esferas, preencha entre 30% e 50% do espaço livre interno. Em rolamentos de rolos, o limite inferior costuma ser ainda mais adequado.
- Registre a intervenção: Data, produto, lote, quantidade e temperatura medida. Isso permite ajustar o intervalo de relubrificação com base em dados reais da sua operação.
- Armazene corretamente: A Graxazul Plex, como qualquer graxa mineral, deve ser mantida em local fresco, seco e fechado. Contaminação por umidade ou sujeira durante o armazenamento compromete o produto antes mesmo da aplicação.
Se a sua planta já tem um plano de lubrificação industrial estruturado, a especificação por temperatura de operação deve estar formalizada nesse documento.
Onde adquirir Graxazul Plex FAG no Norte-Nordeste
A Roltek distribui a linha completa Graxazul FAG, incluindo a versão Plex em embalagens de 10kg, com estoque disponível em Pernambuco e na Bahia com atendimento para toda a região Norte e Nordeste.
Ao comprar de um distribuidor técnico especializado, você conta com orientação para especificação correta, compatibilidade de produtos e suporte em caso de dúvida sobre a aplicação. Distribuidores locais conhecem as condições operacionais regionais, algo que não é possível replicar com a compra de prateleira.
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FAQ: Perguntas frequentes
1. Qual a diferença entre Graxazul e Graxazul Plex?
A Graxazul padrão é formulada com sabão de lítio simples e normalmente trabalha até 120 °C. Já a Graxazul Plex utiliza complexo de lítio, possui ponto de gota acima de 250 °C e oferece maior estabilidade térmica, resistência mecânica e aditivos EP (extrema pressão), sendo indicada para aplicações mais severas.
A temperatura de trabalho contínua da Plex costuma ser especificada em torno de 130 °C pela própria Schaeffler, embora algumas fichas comerciais mencionem picos ou aplicações especiais de até 200 °C. Para aplicações convencionais, a Graxazul padrão geralmente é suficiente. Já em ambientes com temperaturas mais elevadas, cargas de choque ou maior severidade operacional, a Plex é a escolha técnica mais adequada
2. Posso usar a Graxazul Plex em fornos industriais?
A Plex é adequada para rolamentos próximos a fontes de calor, mas não para componentes dentro de fornos com temperaturas acima de 150°C contínuos. Nesses casos, formulações sintéticas com espessantes inorgânicos (como sílica) ou à base de PTFE são mais indicadas. Consulte um especialista para especificação correta.
3. Como saber se a graxa atual está sendo degradada pela temperatura?
Os principais sinais são: coloração escurecida ou ressecada da graxa nos mancais, aumento da temperatura do rolamento além do esperado, ruído anormal durante operação e necessidade de relubrificação em intervalos muito curtos. Qualquer um desses sinais deve motivar uma revisão da especificação de lubrificante.
4. A Graxazul Plex é compatível com sistemas de lubrificação centralizada?
Sim. A formulação apresenta boa bombeabilidade mesmo a baixas temperaturas, tornando-a adequada para sistemas centralizados de distribuição de graxa. Verifique sempre a viscosidade do óleo base em relação ao comprimento das linhas e à temperatura mínima de operação da instalação.
5. Qual o intervalo de relubrificação recomendado com a Graxazul Plex em motores elétricos?
O intervalo depende da temperatura de operação, velocidade de rotação e tipo de rolamento. A FAG (Schaeffler) disponibiliza tabelas de referência que relacionam esses parâmetros. Como regra geral, a cada 10°C acima da temperatura de referência, o intervalo de relubrificação é reduzido à metade. Um plano de manutenção industrial bem estruturado deve contemplar esse cálculo formalmente.
